GRI GRI 102-2 Plano de adaptação às mudanças climáticas

GRI 102-2 Plano de adaptação às mudanças climáticas

A Bracell iniciou, em 2025, o desenvolvimento do eixo de adaptação às mudanças climáticas em seu Plano de Transição e Adaptação Climática, com foco no fortalecimento da resiliência de suas operações, ativos e cadeia de valor frente aos riscos climáticos. Esse eixo complementa o programa Bracell 2030, que já estabelece metas corporativas relacionadas ao clima.

A abordagem é baseada em ciência e alinhada a referenciais internacionais, como GRI, CDP, TCFD, IFRS e IPCC, que orientam a identificação, avaliação e gestão de riscos climáticos em diferentes horizontes temporais, com previsão de integração gradual dessas análises ao Enterprise Risk Management (ERM).

A governança do eixo de adaptação segue a estrutura corporativa de gestão climática: o Comitê Diretivo de Sustentabilidade atua no nível estratégico, o Climate & Carbon Hub no nível tático e as áreas operacionais contribuem com o levantamento de informações, identificação de vulnerabilidades e discussão de respostas adaptativas.

O Plano de Transição e Adaptação Climática incorpora, como diretriz em desenvolvimento, os princípios de transição justa, considerando impactos sociais, ambientais, econômicos e territoriais da descarbonização, com previsão futura de diretrizes, métricas e análises integradas sobre temas socioambientais. Seu escopo é orientar progressivamente iniciativas de mitigação, como redução de emissões, fortalecimento de remoções de carbono, ampliação da matriz renovável e integração de critérios climáticos nas decisões ao longo das operações e da cadeia de valor.

O pilar Ação pelo Clima reflete o compromisso da Bracell em contribuir com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e com a resiliência de suas operações. A Companhia vem construindo sua estratégia climática por meio da gestão de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), do estabelecimento de metas de redução de emissões e remoção de dióxido de carbono da atmosfera por meio de suas florestas, bem como a implementação de ações que fortalecem a adaptação climática GRI 3-3.

 

O Bracell 2030 tem dois compromissos relacionados ao tema material Mudanças Climáticas. Nossas metas foram elaboradas considerando a análise de riscos e impactos – positivos e negativos – das operações da Bracell no contexto das mudanças climáticas. Nossas operações emitem gases de efeito estufa (GEE) e capturam CO2 da atmosfera, por meio do crescimento das florestas plantadas de eucalipto e da conservação das áreas de vegetação nativa sob gestão da Companhia.

Até 2030, assumimos o compromisso de reduzir em 75% nossas emissões de carbono por tonelada de produto fabricado, tendo 2020 como ano de referência para realizar a comparação dos dados medidos. Isso significa chegar a 0,122 tCO2e/adt. Adicionalmente, vamos remover 25 MtCO2e da atmosfera considerando o intervalo de uma década – de 2020 até 2030 GRI 3-3.

 

Ainda, realizamos um amplo levantamento dos impactos potenciais e reais (efetivos), positivos e negativos, relacionados ao tema material de Mudanças Climáticas, identificados a partir da avaliação de dupla materialidade, que envolve a perspectiva de riscos e analisa os principais temas que influenciam e são influenciados pelas operações da companhia. O processo considera tanto os impactos gerados pela empresa no meio ambiente e na sociedade, quanto os efeitos financeiros.

 

Impactos Detalhamento Ocorrência
Impactos reais positivos Removemos carbono da atmosfera, por meio da fixação do gás nas florestas plantadas de eucalipto, nativas e no solo. Em 2025, nossas florestas plantadas removeram 1,8 milhão de tCO2e, enquanto nossas florestas nativas removeram 1,6 milhão de tCO2e, totalizando 3,4 milhões de tCO2e de remoções.
Impactos reais negativos Emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de nossas operações. Emissões de gases de efeito estufa (GEE) de Escopos 1 e 2, cujo impacto tem extensão restrita e intensidade média. Dispomos de mecanismos internos eficientes para gerenciar e reduzir essas emissões (leia mais em nosso inventário de GEE no conteúdo GRI 305 – Emissões).
Emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de nossas operações. Emissões de gases de efeito estufa (GEE) de Escopo 3, cujo impacto tem extensão abrangente e intensidade alta. Dispomos de mecanismos de controle internos e reconhecemos a importância de fortalecer a estratégia de mitigação das emissões de GEE no escopo 3. Com esse objetivo, temos atuado ativamente em comitês e grupos de trabalho dedicados ao tema (leia mais em nosso inventário de GEE no conteúdo GRI 305 – Emissões)).

 

A Bracell identifica e classifica sistematicamente riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas. Nesse trabalho, os categorizamos como físicos e regulatórios e destacamos suas implicações financeiras sobre os negócios da Companhia. Também buscamos detalhar os métodos aplicados para gerenciamento de cada um deles.

Origem do risco Risco Escopo
Riscos e oportunidades de origem física Eventos climáticos extremos (inundações, vendavais e incêndios florestais) Podem resultar em perdas significativas de ativos florestais, interrupções na produção e abastecimento de matéria-prima, aumento dos custos de seguros e riscos operacionais adicionais. O gerenciamento ocorre por meio de instalações prediais e industriais projetadas contra intempéries, sistemas eficazes de combate a incêndios industriais, planos de emergência específicos para incêndios florestais e contratação de seguros para instalações e equipamentos.
Riscos e oportunidades de origem física Mudança nos regimes hídricos Implica em redução da disponibilidade hídrica, aumento nos custos de obtenção e tratamento da água, e limitações na capacidade produtiva. O gerenciamento envolve monitoramento rigoroso do consumo hídrico conforme outorgas, estabelecimento de metas e indicadores de redução, além de implementação de projetos de reúso de água e utilização de energias renováveis para aumentar a eficiência operacional.
Riscos e oportunidades de origem física Escassez hídrica Representa risco duplo, físico e regulatório, impactando diretamente as outorgas de águas subterrâneas e podendo limitar a produção e expansão futura. O gerenciamento adotado inclui monitoramento contínuo do consumo hídrico, definição de indicadores e metas claras para redução do uso, visando otimizar processos e reduzir perdas.
Riscos e oportunidades de origem física Ventos fortes e chuvas intensas Podem causar danos significativos ao patrimônio, reduzindo ou paralisando operações produtivas. A empresa gerencia esses riscos com estruturas projetadas para resistir a eventos severos, além de contar com planos de emergência e continuidade do negócio.
Risco e oportunidade de origem regulatória Incremento nas premissas legais e regulatórias sobre mudanças climáticas Impõe custos adicionais para adequação às novas exigências legais. O gerenciamento ocorre por meio do monitoramento e controle rigoroso do consumo hídrico e das outorgas, desenvolvimento de estudos e implementação de projetos voltados à redução e reutilização de água nos processos industriais, bem como adoção de energias renováveis e uso de equipamentos elétricos (como empilhadeiras elétricas) para reduzir significativamente o consumo de combustíveis fósseis.