GRI GRI 3-3 Gestão do tema material Água e Efluentes

GRI 3-3 Gestão do tema material Água e Efluentes

A água é um bem essencial para a vida humana, para a preservação de ambientes naturais e da biodiversidade, assim como para a produção da Bracell. Preservá-la, por meio da conservação de nascentes e da proteção de matas ciliares nas áreas em que operamos, é um compromisso assumido pela Companhia. Indo além, nos desafiamos a reduzir, até 2030, 47% de nosso consumo hídrico por tonelada de produto fabricado. São todos movimentos que demonstram a seriedade com a qual abordamos o tema em nossas operações.

Nossas práticas de gestão sobre esses temas objetivam a redução do consumo hídrico na produção de celulose, a preservação da água e das bacias hidrográficas, incrementar a eficiência no consumo do recurso em nossas operações industriais, gerenciar riscos e impactos de disponibilidade hídrica e ter ganho de eficiência na gestão de efluentes gerados em nossos processos de fabricação.

Integram nossas práticas de gestão de água processos de monitoramento e controle da captação, do descarte e do consumo em nossas operações florestais e industriais. São parte de nosso Sistema Integrado de Gestão políticas corporativas, procedimentos operacionais, matrizes de riscos, aspectos e impactos ambientais. Essas regras atendem aos requisitos das normas certificadoras ISO 14001, ISO 9001, Programa para o Endosso da Certificação Florestal (PEFC), à legislação brasileira competente, às normas regulamentadoras e a protocolos internacionais de gestão em sustentabilidade.

Os departamentos de Meio Ambiente e Certificações das operações florestais e industriais são responsáveis pelo Sistema Integrado de Gestão e têm reporte direto à alta liderança em relação à melhoria contínua de práticas de gestão e performance nas certificações e processos realizados anualmente.

Como parte do Bracell 2030, nossa estratégia de sustentabilidade, temos meta de eficiência hídrica em nosso processo industrial. Até 2030, queremos atingir 47% de redução no consumo de água por tonelada de celulose produzida, alcançando 16,6 m3/adt. Em 2025, o nosso consumo totalizou 19,9 m3/adt, acima da meta prevista para o ano, de 18,5 m³/adt.

Em nossas operações florestais, especificamente na silvicultura, planejamos o plantio de eucalipto a partir do estudo de zoneamento climático, conduzido pelo departamento de Pesquisa & Desenvolvimento Florestal. Esse estudo analisa dados históricos de clima, como índices de precipitação, temperatura e latitude. A partir desses dados coletados, são recomendadas áreas para plantio com mais disponibilidade hídrica (leia mais sobre nossa gestão em Ação pelo Clima).

Estamos ativamente engajados na redução do uso de produtos químicos e fertilizantes inorgânicos em nossas operações florestais com potencial de contaminação do solo e recursos hídricos. No que concerne ao compromisso de não utilizar produtos químicos listados nas convenções de Estocolmo e Roterdã, a empresa busca alternativas à sulfluramida para o manejo de formigas cortadeiras, participando de programas cooperativos e realizando testes internos para identificar opções mais seguras.

Quanto à minimização do uso de fertilizantes inorgânicos, a Bracell investiga o uso de fertilizantes organominerais produzidos a partir de resíduos orgânicos da própria fábrica, com um estudo de viabilidade para uma planta de compostagem. Além disso, iniciou a produção de sulfato de potássio em sua fábrica de Lençóis Paulista (SP), a partir de um efluente do processo de fabricação de celulose, o que reduzirá a dependência do cloreto de potássio importado.

Lista de produtos químicos utilizados
Classe de produto Princípio ativo dos produtos
Fungicida Azoxistrobina + Difenoconazol
Fungicida Mancozebe + Azoxistrobina
Fungicida Metconazol
Fungicida Piraclostrobina
Fungicida Tebuconazol + Trifloxistrobina
Herbicida Flumioxazina
Herbicida Fluroxipir + Triclopir
Herbicida Glifosato
Herbicida Haloxifope
Herbicida Haloxifope + Cletodim
Herbicida Indaziflan
Herbicida Isoxaflutole
Herbicida Oxyfluorfen
Herbicida Saflufenacil
Herbicida Sulfentrazone
Herbicida Triclopir
Inseticida Acetamiprido + Bifentrina
Inseticida Alfa-cipermetrina
Inseticida Bifentrina
Inseticida Deltametrina
Inseticida Fipronil
Inseticida Imidacloprido
Inseticida Isocicloseram
Inseticida Sulfluramida
Inseticida Tiametoxam

Gestão da captação de água

Em nossa fábrica do Polo Industrial de Camaçari (BA), a captação de água é realizada em 11 poços subterrâneos, distribuídos próximos à fábrica, localizados na Bacia Hidrográfica do Recôncavo Norte, com outorga definida pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente (Inema), órgão ambiental do estado da Bahia. Também há captação de água subterrânea na fábrica da Bracell Papéis no Nordeste, em Feira de Santana (BA), realizada por meio de 14 poços subterrâneos, igualmente com outorga emitida pelo Inema. Esses poços são monitorados continuamente para acompanhamento da vazão de captação, do nível da lâmina d’água e da qualidade hídrica disponível, respeitando os padrões estabelecidos pela legislação.

Em nossas fábricas de Lençóis Paulista (SP), a água captada é proveniente de seis poços tubulares e de água superficial do Rio Tietê – essa última fonte a 22 km da unidade. Ela possui também um sistema de captação de água da chuva. Temos, ainda, captação de água subterrânea em nossos dois viveiros localizados em São Paulo, um no site de Lençóis Paulista (SP) e outro no município de Avaí (SP).

A captação superficial e subterrânea também é realizada em nossas operações florestais que atendem as fábricas de Camaçari (BA) e Lençóis Paulista (SP). Do total de pontos de captação, 37 estão localizados nas operações florestais da Bahia, 338 em São Paulo, 44 em Minas Gerais, sete no Paraná e quatro em Goiás, cujos direitos de uso são autorizados pelo órgão ambiental competente. O controle e o monitoramento desses pontos são realizados periodicamente, de acordo com as condicionantes de seu licenciamento (leia mais no conteúdo GRI 303-3 Captação de água).

Na Bahia, a captação ocorre em seis rios principais: Pojuca, Subaúma, Itariri, Inhambupe, Sauípe e Imbassaí. Em São Paulo, ocorrem em dez Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHIs): Aguapeí, Peixe, Alto Paranapanema, Médio Paranapanema, Pontal do Paranapanema, Tietê Batalha, Tietê Jacaré, Tietê Sorocaba e Piracicaba/Capivari/Jundiaí e Mogi-Guaçu. A captação em Minas Gerais inclui o Ribeirão da Onça, Ribeirão Jacurutu, afluentes do Ribeirão Jacurutu, Rio do Peixe, Córrego Sobrado e Rio Jequitaí. No Paraná, ocorre no Ribeirão Jundiaí. E em Goiás, em um afluente do Rio Corrente.

Avaliamos os impactos relacionados à água por meio de uma matriz que analisa a escala e intensidade do manejo florestal, implementando medidas para prevenir e mitigar impactos negativos. Estudos periódicos avaliam o impacto do manejo na qualidade dos cursos hídricos, com análises até 2025, indicando um manejo não impactante. Em São Paulo, a gestão da captação de água é realizada por meio de um Painel em Power BI com alimentação diária dos volumes captados, sendo as informações utilizadas para monitoramento e ações orientativas, visando o manejo responsável dos recursos naturais.

Gestão de Riscos no Manejo de Águas e Efluentes

A Bracell possui um departamento corporativo dedicado à Gestão de Riscos Corporativos  e Gestão da Continuidade do Negócio. Trata-se de um trabalho que abrange aspectos preventivos e reativos, os quais podem ser endereçados concomitantemente, e cuja metodologia desenvolvida foi baseada em normas internacionalmente reconhecidas, como ISO 31000, BSI 31100, COSO ERM, ISO 22301 e NFPA 1600.

Por meio da Política de Gestão de Riscos e Continuidade do Negócio, assinada pela presidência e alta diretoria da empresa, a Bracell formaliza sua gestão de riscos iniciada em 2023. Além da política, o trabalho de gestão de riscos é  guiado pelos procedimentos Processo de Gestão de Riscos Corporativos e Manual de  Gerenciamento de Riscos Para Continuidade do Negócio, bem como pela Matriz de Classificação de Riscos da Bracell. Todos os documentos estão disponíveis para todos os colaboradores da Bracell por meio do Sistema Integrado de Gestão (SIG). Vale ressaltar que gestão de riscos foi um  tópico implementado na Bracell por iniciativa da presidência da empresa, a qual atua  como principal sponsor do projeto e acompanha os resultados obtidos periodicamente.

A Matriz de Classificação de Riscos da Bracell é o principal documento da área. Os riscos identificados são classificados mediante dois parâmetros: probabilidade de ocorrência e consequência, caso ocorra. A matriz contém todos os critérios que definem cada nível de probabilidade e consequência. 

No tocante à consequência, é sabido que um risco pode se materializar em diversos âmbitos, portanto, considera-se nas análises de riscos: saúde e segurança pessoal, meio ambiente, impacto social e comunidades, equipes, operações e negócios industriais, operações e negócios florestais, legal e compliance, financeiro e reputação.

No que concerne aos recursos hídricos, os critérios de definição de nível de consequência ambiental incluem captação indevida de água, bem como geração de efluentes em não conformidade com as legislações aplicáveis e contaminação de mananciais.

Plano de Monitoramento de Recursos Hídricos

Por meio de nosso Plano de Monitoramento de Recursos Hídricos, registramos os volumes captados de forma a atender às condicionantes das outorgas para uso da água e do licenciamento ambiental que são emitidos pelos órgãos ambientais.

Em nossa fábrica localizada no Polo Industrial de Camaçari (BA), a gestão hídrica é conduzida por uma empresa autônoma do polo, que monitora a disponibilidade hídrica em relação ao volume e qualidade. É parte do Plano de Gerenciamento de Recursos Hídricos a gestão de riscos e desenvolvimento de planos de ação direcionado a 100% das empresas do Polo de Camaçari (leia mais sobre a gestão da qualidade de efluente em GRI 303-4 Descarte de água).

A Bracell compromete-se com a proteção dos cursos de água naturais por meio da implementação de zonas de amortecimento. Utilizamos dados oficiais do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para georreferenciar todas as informações sobre as fazendas sob gestão da Bracell. Em nosso sistema de informação geográfica, cruzamos essa coleta com outras bases, como as de unidades de conservação, de zonas de amortecimento e de áreas de proteção ambiental. Isso delimita os procedimentos operacionais em cada propriedade da Companhia, a depender das restrições e condições dos planos de manejo (leia mais em Paisagens Sustentáveis e Biodiversidade).

Gestão do consumo

Nossas fábricas têm circuito parcialmente fechado de água, o que permite a reutilização ao longo do processo produtivo, reduzindo a necessidade de captação.

Em nossa nova unidade de Tissue em Lençóis Paulista (SP), a água utilizada no processo de fabricação é retirada da própria celulose, purificada no processo produtivo e reutilizada, garantindo menos captação de recursos hídricos e mais eficiência no uso da água.

Na Bracell Papéis Nordeste, em Feira de Santana (BA), as águas residuárias são recuperadas após tratamento e retornam para o processo, garantindo ainda menos consumo de água fresca. Vale destacar que o conceito de circuito fechado é plenamente aplicado na unidade, que foi concebida para reutilizar 100% da água de processo (leia mais sobre os atributos de sustentabilidade de nossas operações em GRI 2-6 A Bracell).

Nos viveiros, utilizamos água para a irrigação das mudas. O excedente da água utilizada na irrigação é direcionado para sistemas de drenagem, infiltrando-se no solo dos talhões de eucaliptos. Nas operações de manejo, a água é utilizada para diversas finalidades, incluindo o molhamento de mudas, a preparação de caldas para aplicação de produtos químicos, o combate a incêndios, a umectação e manutenção de estradas florestais, e a lavagem de maquinários.

A Bracell Bahia colabora com entidades públicas e a comunidade para garantir o suprimento sustentável de água, monitorado por uma empresa autônoma no polo de Camaçari, que identifica riscos e estabelece planos de ação (leia mais no conteúdo GRI 303-2 Gestão de impactos relacionados ao descarte de água).

A fim de assegurar o uso adequado da água, é realizado periodicamente o monitoramento ambiental em nossas operações florestais e industriais, tanto em São Paulo quanto na Bahia. Esse monitoramento é conduzido por laboratórios acreditados na NBR ISO/IEC 17025, incluindo análises da qualidade das águas subterrâneas e superficiais e da potabilidade para água de consumo humano, assegurando conformidade com as legislações vigentes.

Menos gás natural e menos água

Concluímos, em 2025, a modernização do sistema de cozimento de uma das linhas de produção de celulose em nossa indústria em Camaçari (BA). O novo processo de cozimento demanda menos vapor e, portanto, menos água, além de permitir a recuperação de 100% da água de selagem.

Além disso, melhorias realizadas na unidade fabril permitiram ampliar o reúso de águas residuárias, por meio de recirculação. Essas iniciativas somadas permitiram um desempenho hídrico melhor a partir do segundo semestre do ano, após a parada planejada anual da fábrica.

Também implantamos melhoria significativa nas medições hídricas da Bracell Papéis Nordeste. A maior acuracidade na apuração dos dados nos permite tomar decisões operacionais e de investimentos relacionados à gestão de água e de efluentes com mais segurança.

Gestão do descarte de efluentes

Nossas fábricas de celulose têm certificação ISO 14001/2015, que garante a identificação sistemática de pontos críticos de consumo, por meio de uma ferramenta interna de gestão de aspectos e impactos ambientais, que estabelece controles específicos, como limites de consumo e estratégias de reúso/redução.

Somos a primeira empresa do setor de celulose no estado de São Paulo a adotar tratamento de efluente em três fases.

  • Primeira fase: remoção de fibras e compostos inorgânicos, utilizando processos mecânicos para separação de resíduos sólidos;
  • Segunda fase: tratamento da matéria orgânica por meio de sistemas biológicos, que reduzem a carga orgânica do efluente;
  • Terceira fase: polimento final do efluente tratado por meio de um sistema de flotação química, garantindo a qualidade do efluente antes do retorno ao Rio Tietê.

O tratamento terciário de efluentes permite uma performance capaz de manter uma eficiência de remoção de carga orgânica, medida pela Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), de aproximadamente 98% – resultado superior ao exigido pela legislação federal (Resolução Conama 430/2011). Além disso, cerca de 92% da água captada do Tietê é devolvida ao rio após o processo industrial como efluente tratado.

A abordagem da organização para estabelecer os limites de descarte é baseada em regulamentações ambientais, incluindo o artigo 18 do Decreto nº 8.468/1976, o Art. 16 da Resolução Conama n° 430/2011, o Termo de Referência Cetesb, o Parecer Técnico 072/18/IPSE e certificações como Nordic Swan e EU Ecolabel (leia mais no conteúdo GRI 2-6 A Bracell).

Na fábrica do Polo Industrial de Camaçari (BA), depois de consumidas no processo produtivo, as águas residuais são coletadas e direcionadas para o sistema de tratamento interno da Bracell, que conta com sistema de decantação. Em seguida, o efluente orgânico é direcionado para a Cetrel, empresa responsável pelo tratamento secundário biológico (lodos ativados), com garantia de remoção de carga orgânica superior a 95%. Após essa etapa, o efluente tratado é direcionado por um emissário para lançamento no oceano, em atendimento à legislação federal (Resolução Conama n° 430/2011) e a determinações do órgão ambiental estadual, o Inema.

A Bracell opera com padrões de qualidade de efluentes que superam as exigências regulatórias nacionais, destacando-se pelo rigor no monitoramento e tratamento de parâmetros como DBO e Demanda Química de Oxigênio (DQO).

Nas operações de São Paulo, a DBO opera com níveis aproximadamente 98% superiores ao exigido pela legislação federal (Resolução Conama n° 430/2011), refletindo a eficiência do sistema de tratamento terciário exclusivo da Companhia.

Nas operações da Bahia, o monitoramento frequente da DQO garante a eficácia do processo primário, enquanto a eficiência na remoção de carga orgânica é assegurada pela etapa secundária – que, devido à mistura com efluentes de outras indústrias no complexo, não permite mensuração direta do resultado específico da Bracell no efluente final lançado via emissário submarino.

Em novembro de 2025, implementamos um novo sistema de lavagem na unidade de celulose da Bahia. Ele deverá trazer um impacto positivo para o DQO do efluente, a ser percebido a partir de 2026.

Comitês de Bacias Hidrográficas

Participamos ativamente nos Comitês de Bacias Hidrográficas das regiões onde atuamos, buscando debater o uso sustentável dos recursos hídricos. Integramos os seguintes comitês e programas:

  • Comitê de Bacias Hidrográficas do Recôncavo Norte e Inhambupe (CBH RNI), em Alagoinhas (BA);
  • Comitê Gestor da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CGBH-RL), em Lençóis (BA);
  • Programa de Monitoramento e Modelagem de Bacias Hidrográficas (Promab) do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (Ipef), nos estados de São Paulo, em Piracicaba, e da Bahia, em Eunápolis, com 30 anos de monitoramento.

Buscamos promover, ainda, ações estruturadas junto aos nossos stakeholders, especialmente com as comunidades locais e fornecedores, visando à preservação e recuperação de nascentes e o uso eficiente dos recursos hídricos.