GRI 3-3 Gestão do tema material Mudanças Climáticas
Reconhecemos que as mudanças climáticas representam um dos principais desafios globais da atualidade e entendemos a importância de atuar de forma proativa e responsável frente a esse cenário.
O pilar Ação pelo Clima reflete o compromisso da Bracell em contribuir com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas e com a resiliência de suas operações. A Companhia vem construindo sua estratégia climática por meio da gestão de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), do estabelecimento de metas de redução de emissões e remoção de dióxido de carbono da atmosfera por meio de suas florestas, bem como a implementação de ações que fortalecem a adaptação climática (leia mais em Ação Pelo Clima).
Bracell na COP30
Durante a COP30, realizada em novembro de 2025, em Belém (PA), o vice-presidente de Sustentabilidade da Bracell, Márcio Nappo, participou de três painéis oficiais, na Blue Zone do evento, organizados por entidades nacionais e internacionais, com foco em bioeconomia, descarbonização e natureza positiva:
“Benefícios dos Produtos de Base Florestal” – CNA e Ibá
Painel organizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a entidade Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), no qual a Bracell apresentou o potencial da celulose solúvel especial e suas aplicações na indústria farmacêutica, cosmética, alimentícia e na produção de viscose.
“O papel das remoções a partir de Soluções Baseadas na Natureza na descarbonização da economia” – CNI
Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), debateu o papel das florestas na captura e estocagem de carbono e a meta da Bracell de remover 25 milhões de tCO₂e da atmosfera até 2030.
“Cultivando um futuro Natureza Positiva: métricas e momentum na agricultura e floresta” – NPI
Organizado pela Nature Positive Initiative (NPI), abordou novas métricas para medir o estado da natureza e o engajamento da Bracell como empresa-piloto no Brasil para testar esses indicadores.
Governança climática
A governança climática da Bracell, no âmbito da transição e da adaptação climática está estruturada em três níveis, com o objetivo de integrar as questões climáticas à estratégia de negócios.
No nível estratégico, o Comitê Diretivo de Sustentabilidade supervisiona as metas climáticas e os projetos de redução de carbono e de adaptação, define prioridades e promove a integração com a estratégia corporativa, a gestão de riscos e a criação de valor no longo prazo.
No nível tático, a área de Sustentabilidade atua como instância de articulação entre estratégia e execução, promovendo a integração de dados climáticos, o acompanhamento das metas de clima e a condução dos temas de mitigação e resiliência.
No nível operacional, Grupos Técnicos de Trabalho atuam na implementação das diretrizes climáticas por meio do desenvolvimento e do acompanhamento dos temas de emissões, remoções e energia.
Compromisso climático – Metas 2030
| No | Meta 2030 | Baseline 2020 | Meta 2030 | Meta 2025 | Desempenho 2025 | Desempenho 2024 | ODS |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Reduzir as emissões de carbono por tonelada de produto em 75%, para atingir 0,122tCO₂e/adt | 0,482 tCO2e/adt | 0,122 tCO2e/adt | 0,141 tCO2e/adt | 0,255 tCO2e/adt | 0,208 tCO2e/adt | 13, 14, 15 |
| 2 | 25 MtCO₂e removidos da atmosfera entre 2020 e 2030 | 8,3 MtCO2e | 25 MtCO2e | 13,9 MtCO2e | 6 MtCO2 | 4,30 MtCO2 | 13, 14, 15 |
O Bracell 2030 tem dois compromissos relacionados ao tema material Mudanças Climáticas. Nossas metas foram elaboradas considerando a análise de riscos e impactos – positivos e negativos – das operações da Bracell no contexto das mudanças climáticas. Nossas operações emitem gases de efeito estufa (GEE) e capturam CO2 da atmosfera, por meio do crescimento das florestas plantadas de eucalipto e da conservação das áreas de vegetação nativa sob gestão da Companhia.
Até 2030, assumimos o compromisso de reduzir em 75% nossas emissões de carbono por tonelada de produto fabricado, tendo 2020 como ano de referência para realizar a comparação dos dados medidos. Isso significa chegar a 0,122 tCO2e/adt. Adicionalmente, vamos remover 25 MtCO2e da atmosfera considerando o intervalo de uma década – de 2020 até 2030.
Para 2025, estabelecemos como metas intermediárias fechar o ano com 0,141 tCO2e/adt e tendo removido 13,9 MtCO2e. Os resultados mensurados são detalhados abaixo:
Meta 1: reduzir as emissões de carbono por tonelada de produto em 75%, para atingir 0,122 tCO₂e/adt*.
*Operações Bracell São Paulo, Bracell Bahia e MS Florestal.
De 2020 a 2025, reduzimos 47% de emissões de carbono por tonelada de produto, atingindo o valor de 0,257 tCO2e/adt.
Embora tenhamos alcançado uma redução de 47% de nossas emissões em intensidade nesse período, alguns fatores contribuíram para que não fosse atingida a meta estabelecida para 2025. A redução das emissões foi afetada negativamente principalmente pelo aumento da combustão móvel nas nossas operações, bem como aumento do uso de gás natural e óleo combustível nas operações industriais.
Por outro lado, registramos avanços relevantes em 2025. A ocorrência de incêndios em nossas áreas florestais foi significativamente reduzida, resultando em uma queda de 84% nas emissões associadas a esses eventos.
Adicionalmente, no site industrial da Bahia, uma das linhas de produção da planta de celulose foi modernizada com a implantação de uma nova linha de cozimento. A tecnologia, que entrou em operação no início de outubro de 2025, reduziu a demanda por vapor no processo, contribuindo para uma redução de 3% no consumo total de gás natural da fábrica.
Seguimos implementando iniciativas para mitigar os impactos relacionados às mudanças climáticas e continuar avançando em direção à descarbonização de nossas operações. Os investimentos realizados para o uso de caminhões elétricos no transporte de celulose, em fase de testes, e para a geração e utilização de energia renovável são exemplos que detalhamos no capítulo Eficiência energética.
Meta 2: 25MtCO2e removidos da atmosfera entre 2020 e 2030*.
*Operações Bracell São Paulo, Bracell Bahia e MS Florestal.
De 2020 a 2025, removemos 6 MtCO2e. Esse valor considera o balanço de carbono de nossas operações, ou seja, a diferença entre o total de remoções e emissões antropogênicas e emissões biogênicas LULUCF (sigla em inglês para Land Use, Land-Use Change and Forestry, que em português significa Uso da Terra, Mudança no Uso da Terra e Florestas).
O resultado representa um avanço em relação ao acumulado registrado até 2025, refletindo a continuidade das remoções de carbono associadas às nossas operações florestais.
Ainda assim, fatores climáticos contribuíram para que não fosse atingida a meta estabelecida para 2025. O desempenho foi impactado, principalmente, pelas condições climáticas adversas observadas nos últimos anos, caracterizadas por temperaturas mais elevadas e redução do volume de chuvas, que resultaram em déficit hídrico e afetaram diretamente a produtividade florestal. Como o crescimento das florestas de eucalipto está diretamente relacionado à capacidade de remoção de CO₂ da atmosfera, essas condições comprometeram o potencial de remoção previsto no período.
A Bracell tem um plano de ação para mitigar seus impactos ao clima e aumentar a resiliência de suas operações frente às mudanças climáticas. Entre as principais ações estão: o monitoramento do fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto; investimentos em pesquisa e desenvolvimento florestal (P&D); a gestão integrada de riscos e impactos relacionados ao clima; e a realização de estudos de zoneamento climático. Saiba mais nos capítulos Monitoramento do fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto e Estudo de zoneamento climático.
Ações pelo clima
A seguir, destacamos iniciativas que compõem a agenda de Ação pelo Clima da Bracell, abrangendo mitigação, eficiência energética, avanços tecnológicos e fortalecimento de capacidades internas.
| Autossuficiência na produção de eletricidade – geramos a energia limpa e renovável que abastece as duas linhas flexíveis de Lençóis Paulista (SP) – com geração excedente de 150 a 180 MW disponibilizada no grid (capacidade para atender a uma cidade com 3 milhões de habitantes ou 750 mil casas). |
| Painel solar – nossa fábrica de Tissue em Lençóis Paulista (SP) possui o maior painel solar do setor de papel na América Latina, com aproximadamente 50 mil m², composto por 10.836 placas, com capacidade instalada de 7,21 MW, equivalente a cerca de 20% do consumo da unidade. |
| Substituição do uso de combustível fóssil por renovável no forno de cal – nas duas linhas flexíveis do site de Lençóis Paulista (SP), a partir da biomassa do eucalipto, produzimos o gás de síntese, ou Syngás, em nossos gaseificadores de biomassa para operar em um dos fornos de cal. |
| Substituição de óleo combustível por gás natural no forno de cal – por meio de tecnologias e ações de engenharia, realizamos o projeto de substituição de óleo 1B (óleo combustível derivado do petróleo) por gás natural no forno de cal da linha mais antiga do site da empresa em Lençóis Paulista (SP). |
| Uso de empilhadeiras e caminhões elétricos – estamos incorporando à nossa operação empilhadeiras elétricas que utilizam energia renovável gerada na fábrica de Lençóis Paulista (SP). Também estamos promovendo testes para utilização de caminhões elétricos no trecho logístico entre a unidade e o terminal rodoferroviário de Pederneiras (SP), que são abastecidos com a energia renovável gerada no processo industrial de produção da celulose. |
| Pesquisa sobre fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto – somos parte do Programa Cooperativo Eucflux-IPEF, que estuda o fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto no Brasil. Por meio dessa iniciativa, contribuímos com o melhor entendimento desses fenômenos em uma área de plantação de eucalipto sob gestão da Bracell, no município de Itatinga (SP), onde dispomos de uma torre de fluxo com os equipamentos que monitoram esses componentes. |
| Investimento em torres de fluxo em áreas de nativas e de plantações de eucalipto – como parte dos compromissos assumidos pela Companhia por meio do Bracell 2030 e considerando a relevância do tema, a Bracell irá dispor de torres de fluxo de carbono e hídrico em áreas de eucalipto e de nativas sob sua gestão, nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. Em 2025, iniciamos a instalação de uma nova torre de fluxo, em área de vegetação nativa, em nossa Reserva Particular do Patrimônio Natural Lontra, na Bahia. Ela se somará à já existente no estado, em funcionamento em área de floresta plantada de eucalipto, e a outra em operação em São Paulo em floresta nativa. |
| Inventário de GEE e GHG Protocol – Nosso inventário de GEE – Escopos 1, 2 e 3 – e nossas remoções de tCO2e são auditados e verificados externamente. Divulgamos o inventário de emissões de GEE completo na plataforma de Registro Público de Emissões do Programa Brasileiro GHG Protocol. |
| Pegada de carbono – realizamos estudos de pegada de carbono dos nossos produtos com base em metodologias reconhecidas de avaliação de ciclo de vida, como ISO 14044, ISO 14067 e GHG Protocol – Product Standard, apoiando clientes em suas próprias estratégias de descarbonização e fortalecendo nossa competitividade com maior transparência climática. |
| Nova planta de cozimento – em 2025 foi dado início às operações da nova planta de cozimento em Camaçari (BA). A entrega faz parte do projeto Renovar, que moderniza equipamentos e processos industriais, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a inovação. A capacidade volumétrica cresceu em 35%, aumentando a produtividade e reduzindo o consumo de energia, vapor, gás natural e água. |
Inventário de GEE
Como parte essencial da agenda climática, a Bracell elabora anualmente o inventário corporativo de suas emissões e remoções de gases de efeito estufa (GEE). Em 2025, o escopo abrangeu a cadeia de valor de celulose e papel, cujas emissões consideram as operações industriais, localizadas em São Paulo e Bahia, além de operações florestais nesses dois estados e no Mato Grosso do Sul, e respectivas operações logísticas (leia mais sobre nossas operações florestais no conteúdo GRI 2-6 A Bracell).
Os dados do nosso Inventário de GEE são públicos e assegurados externamente, por terceira parte independente, com carta de verificação publicada em nosso Relatório de Sustentabilidade e nesta Central de Indicadores (leia mais no conteúdo GRI 305 – Emissões).
O Inventário de Gases de Efeito Estufa da Bracell abrange os Escopos 1, 2 e 3, sendo desenvolvido de acordo com as orientações metodológicas dispostas na versão mais atualizada da norma ABNT-NBR ISO 14064, com o GHG Protocol e com as metodologias de quantificação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Desde 2022, a Bracell publica os dados de seu Inventário de Emissões de GEE no Registro Público de Emissões.
Somos membro do Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG) e divulgamos nossos dados de Inventário GEE no Registro Público de Emissões, sendo certificada, novamente, com o selo Ouro do Programa em 2025.
O PBGHG visa promover o reconhecimento das organizações participantes pela iniciativa voluntária de transparência, frente a stakeholders cada vez mais atentos à responsabilidade socioambiental corporativa. O reconhecimento é concedido a organizações que alcançam o mais alto nível de qualificação e transparência na publicação de seus inventários de emissões de gases de efeito estufa no Registro Público de Emissões (RPE) do Programa Brasileiro GHG Protocol.
Balanço de carbono
As florestas plantadas de eucalipto da Bracell e as áreas de florestas nativas de nossas operações desempenham um papel essencial na remoção de CO₂e da atmosfera, absorvendo e estocando carbono ao longo do ciclo de crescimento das árvores. Isso contribui para a mitigação parcial das nossas emissões de gases de efeito estufa (GEE).
Em 2025, nosso balanço de carbono demonstrou que nossas remoções foram maiores do que nossas emissões. Veja os detalhes na tabela abaixo.
Removemos 3,4 milhões de tCO2e* da atmosfera em 2025 e nosso balanço de carbono foi de – 1.544.310 tCO2e
*Resultado do balanço entre emissões biogênicas LULUCF e remoções biogênicas.
| Emissões | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|
| Total (E1 + E2 + E3) | 1.701.669,00 | 1.716.315,84 | 1.888.826,67
|
| Escopo 1 | 597.454,00 | 731.362,80 | 976.020,89 |
| Escopo 2 | 9.611,00 | 13.213,63 | 23.917,20 |
| Escopo 3 | 1.094.603,00 | 971.739,41 | 888.888,57 |
| Emissões biogênicas LULUCF | 3.940.391,00 | 2.227.222,45 | 11.315.321,66 |
| Remoções biogênicas | -1.286.441,00 | -4.119.009,65 | -14.748.445,83 |
| Saldo | 4.355.619,00 | -175.471,36 | -1.544.297,51 |
Nota: o escopo da meta 2030 de remoções (25MtCO2e removidos da atmosfera entre 2020 e 2030) não considera as emissões de Papéis Nordeste e Papéis Sudeste. Logo, para o cálculo da meta, desconsideram-se as emissões dessas unidades, que juntas somam 103.659,33 tCO2e, obtendo-se o saldo anual de -1.647.956,84.
Monitoramento do fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto
Como parte dos compromissos assumidos pela Companhia por meio do Bracell 2030, investimos diretamente na construção de cinco torres de fluxo para monitorar o fluxo de água e carbono em nossas operações.
Em 2024, instalamos duas delas – uma em área de floresta nativa em São Paulo e outra torre na Bahia, em área de eucalipto. Em 2025, iniciamos a instalação de uma nova torre, em área de vegetação nativa, em nossa Reserva Particular do Patrimônio Natural Lontra, na Bahia. Futuramente, instalaremos outras duas, no estado do Mato Grosso do Sul, uma para cada tipo de área de floresta em nossas operações, somando-se, no total, cinco torres. Os dados medidos são gerenciados e analisados por nosso time de Pesquisa e Desenvolvimento Florestal.
Esses equipamentos coletam dados sobre os fluxos de carbono e de água das árvores, além de diferentes variáveis ambientais. O sistema conta com sensores para mensurar radiação de ondas curtas e longas, radiação fotossinteticamente ativa (PAR), precipitação, concentração de CO2 em diferentes alturas da torre, além de sensores de temperatura e umidade do ar, e temperatura, umidade e calor do solo. Esses dados fornecem informações essenciais para subsidiar o aprimoramento de nossas estratégias frente às mudanças climáticas.
Também serão instaladas outras duas torres no estado do Mato Grosso do Sul, uma para cada tipo de área de floresta em nossas operações. Os dados são gerenciados e analisados por nosso time de Pesquisa e Desenvolvimento Florestal.
Programa Cooperativo Eucflux-IPEF
Somos parte do Programa Cooperativo Eucflux-IPEF, que estuda o fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto no Brasil. Por meio dessa iniciativa, contribuímos com o melhor entendimento desses fenômenos em uma área de plantação de eucalipto sob gestão da Bracell, no município de Itatinga (SP), onde dispomos de uma torre de fluxo com os equipamentos que monitoram esses componentes.
O Eucflux é liderado pelo Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF) e pelo Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement (Cirad), com participação de instituições representantes da academia, como a Universidade Federal de Lavras (Ufla), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade de São Paulo (Esalq/USP).
Impactos e riscos climáticos
A Bracell identifica e classifica sistematicamente riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas. Nesse trabalho, os categorizamos como físicos e regulatórios e destacamos suas implicações financeiras sobre os negócios da Companhia. Também buscamos detalhar os métodos aplicados para gerenciamento de cada um deles.
Contamos com uma Política de Gestão de Riscos Corporativos e Continuidade do Negócio, que tem como objetivo a identificação, avaliação, tratamento e monitoramento contínuo dos riscos corporativos por meio do processo estruturado de Enterprise Risk Management (ERM). Esse processo segue padrões internacionais como ISO 31000, BSI 31100 e COSO ERM, abrangendo categorias operacionais, sociais, ambientais, de governança, tecnológicas, estratégicas, políticas e financeiras.
A categorização e classificação dos riscos climáticos com impactos financeiros são conduzidas de acordo com a Matriz de Classificação de Riscos da Bracell (leia mais no conteúdo GRI 201-2).
| Impactos | Detalhamento | Ocorrência |
|---|---|---|
| Impactos reais positivos | Removemos carbono da atmosfera, por meio da fixação do gás nas florestas plantadas de eucalipto, nativas e no solo. | Em 2025, nossas florestas plantadas removeram 1,8 milhões de tCO2e, enquanto nossas florestas nativas removeram 1,6 milhões de tCO2e, totalizando 3,4 milhões de tCO2e de remoções. |
| Impactos reais negativos | Emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de nossas operações. | Emissões de gases de efeito estufa (GEE) de Escopos 1 e 2, cujo impacto tem extensão restrita e intensidade média. Dispomos de mecanismos internos eficientes para gerenciar e reduzir essas emissões (leia mais em nosso inventário de GEE no conteúdo GRI 305 – Emissões). |
| Emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de nossas operações. | Emissões de gases de efeito estufa (GEE) de Escopo 3, cujo impacto tem extensão abrangente e intensidade alta. Dispomos de mecanismos de controle internos e reconhecemos a importância de fortalecer a estratégia de mitigação das emissões de GEE no escopo 3. Com esse objetivo, temos atuado ativamente em comitês e grupos de trabalho dedicados ao tema (leia mais em nosso inventário de GEE no conteúdo GRI 305 – Emissões)). |
Adaptação climática
P&D Florestal e gestão de riscos e impactos em mudanças climáticas
Investimos em melhoramento genético clássico, silvicultura, manejo florestal, extensão florestal e transferência de tecnologia, para garantir o fornecimento sustentável de madeira de alta qualidade em médio e em longo prazos, assegurando, assim, a perenidade do negócio e a excelência de nossos produtos.
A missão da P&D Florestal é melhorar o Incremento Médio Anual de Madeira (IMA) e o Incremento Médio Anual de Celulose (IMACEL) de maneira sustentável. Atualmente, nosso portfólio conta com mais de 400 projetos, sempre criados em linha com a missão da área, respeitando as peculiaridades e características de cada local que a Companhia atua.
O IMA e o IMACEL são indicadores estratégicos de desempenho florestal, pois medem, respectivamente, a média anual de crescimento de volume de madeira por hectare e a média anual de produção de celulose por hectare, orientando decisões de manejo, melhoramento genético e sustentabilidade do negócio.
Melhoramento genético clássico
A Bracell não utiliza organismos geneticamente modificados (OGM) e desenvolve seus clones de eucalipto por meio do melhoramento genético clássico. Esse processo envolve a geração, avaliação e seleção de clones melhorados por ciclos sucessivos. O foco do melhoramento genético também está no desenvolvimento de técnicas que visam aumentar a eficiência da clonagem, garantindo madeira de alta qualidade e mais sustentabilidade ao longo do tempo.
Desde 2024, a área de P&D Florestal recomenda o plantio comercial de compostos clonais – um em São Paulo, um na Bahia e outro no Mato Grosso do Sul. Trata-se de um tipo único de cultivar, formado por uma mistura de clones, o que garante menor vulnerabilidade e maior proteção contra pragas, doenças e eventos climáticos adversos. Os compostos estão sendo plantados para uso comercial da empresa desde 2024.
Além dos três compostos clonais, são sempre recomendados novos clones desenvolvidos internamente, para as operações de São Paulo, Bahia e Mato Grosso do Sul.
Silvicultura e manejo florestal
A Bracell busca a melhoria contínua dos processos de manejo florestal, adotando práticas de conservação, preparo e fertilização do solo. O controle biológico de pragas, doenças e plantas daninhas também é uma prioridade, garantindo a saúde e a produtividade das florestas a longo prazo (leia mais no conteúdo GRI 2-6 A Bracell).
Anualmente, a Companhia tem aumentado a produção de inimigos naturais a serem usados nas regiões do plantio. Em 2024 foram produzidos 95 milhões desses inimigos naturais e, em 2025, produzimos 1,3 milhão de inimigos naturais em São Paulo, 127,2 milhões na Bahia e 30,1 milhões no Mato Grosso do Sul. O uso do controle biológico reduz a necessidade do uso de químicos, contribuindo para a diminuição de emissões de gases de efeito estufa, especialmente óxido nitroso (N₂O), associadas à aplicação de insumos nitrogenados no manejo.
Extensão florestal e transferência de tecnologia
Ao realizar pesquisas, a Bracell garante assistência técnica especializada e promove a transferência de tecnologia para suas operações florestais, assegurando a implementação de melhores práticas e o aprimoramento constante dos processos.
Estudo de zoneamento climático
Realizamos continuamente estudos de zoneamento climático, que visam ao monitoramento contínuo das condições edafoclimáticas – relacionadas ao solo e ao clima – nas regiões nas quais a Bracell atua no Brasil, com foco na análise da disponibilidade hídrica, essencial para compreender o impacto direto da água no desenvolvimento das florestas de eucalipto.
A partir dessa análise, é possível identificar as áreas com maior aptidão para o cultivo comercial de eucalipto, otimizando o uso da terra e garantindo a sustentabilidade ambiental das operações. Com base nas informações geradas, as recomendações técnicas são ajustadas às características específicas de cada local, abrangendo desde a escolha do material genético mais adequado até práticas silviculturais, como recomendação de espaçamento de plantio, adubação, preparo do solo e controle de pragas e doenças.
O zoneamento climático também orienta sobre as melhores épocas para a execução dessas atividades, alinhando-se às condições ambientais para maximizar o desempenho e a eficiência dos plantios de eucalipto.
Em 2025, a operação aplicou o aprendizado de 2024, alterando a época de plantio de alguns clones mais suscetíveis para o segundo semestre do ano, evitando a exposição desse material às maiores temperatura e umidade do primeiro semestre em idade jovem, o que resultou em menos incidência de pragas e doenças e mais produtividade.
A Companhia desenvolveu, em parceria com a Universidade da Carolina do Norte, uma ferramenta de alocação clonal. Com isso, é possível definir com mais precisão os clones com melhor desempenho em cada uma das áreas de plantio.
Um biometricista da empresa, profissional especializado na aplicação de métodos quantitativos para analisar dados biológicos e ecológicos, realizou os estudos nos EUA, durante três meses e criou a ferramenta, que ajuda a otimizar a eficiência do plantio, resultando em um ganho médio de 4% no Incremento Médio Anual (IMA) apenas por colocar o clone certo no lugar certo.
O IMA é um indicador estratégico de desempenho florestal. Ele mensura a média anual de crescimento de volume de madeira por hectare, orientando decisões de manejo, melhoramento genético e sustentabilidade do negócio.
Gestão de energia
Nossas fábricas de celulose em Lençóis Paulista (SP) são autossuficientes na geração de energia. Possuímos caldeira de recuperação que gera vapor e alimenta os turbogeradores para a produção de energia elétrica. O uso da rede elétrica nacional só é realizado nas paradas realizadas para manutenção de equipamentos. Nesse caso, adquirimos energia do Sistema Interligado Nacional (SIN), que conta com cerca de 85% de sua geração proveniente de fontes renováveis, destacadamente hidráulica, eólica e solar.
Há compra de energia também para as operações florestais e portuárias, viveiros e escritórios.
Nos pátios de estocagem de nossas fábricas de Lençóis Paulista (SP), utilizamos empilhadeiras elétricas, reduzindo o consumo de combustíveis fósseis para esse fim.
Além disso, em 2025, seguimos os testes para o uso de caminhões elétricos no trecho logístico entre as unidades e o terminal rodoferroviário de Pederneiras (SP). A ação é inédita nesse tipo de operação com veículos pesados. No ano, testamos um caminhão elétrico que percorreu 17 mil km, evitando a emissão de 16tCO2e.
Adquirimos um novo caminhão com capacidade de carga ampliada, capaz de transportar 52 toneladas – os veículos usados anteriormente levavam entre 28 e 30 toneladas. Seu abastecimento é feito com energia renovável gerada na fábrica de Lençóis Paulista (SP). Essa iniciativa é um segundo passo nos testes que visam aliar sustentabilidade a eficiência logística e de custo.
Energia renovável
As fábricas de Lençóis Paulista (SP) foram desenvolvidas para operar livres de combustíveis fósseis e para gerar energia limpa e renovável para a operação, assim como disponibilizar o excedente no grid nacional.
No site de Lençóis Paulista (SP), possuímos uma subestação de 440 kV, com capacidade instalada de transformação de 409 MW, suficientes para suprir a demanda da fábrica e injetar no SIN um excedente de energia limpa e renovável na ordem de 150 MW a 180 MW, capaz de atender 750 mil residências ou cerca de 3 milhões de pessoas.
Em nossa fábrica da Bahia, também contamos com caldeira de recuperação que gera energia renovável a partir da queima do licor negro do processo de cozimento da madeira.
No ano, geramos 57 milhões GJ de energia renovável a partir de biomassa de eucalipto, licor negro e painéis solares. Comercializamos para o mercado livre de energia brasileiro 2 milhões de GJ de energia. (leia mais no conteúdo GRI 302). Nosso excedente de energia é vendido para o mercado livre, com certificação I-REC, que comprova o atributo renovável da energia gerada.
Em 2025, nossas operações logísticas no Porto de Santos (SP), que possuem certificação ISO 14001, contribuíram ainda mais com o aumento do uso de energia renovável. Os investimentos em automação realizados passaram a funcionar com 100% de sua capacidade: dois pórticos e quatro pontes volantes operam no recebimento da celulose transportada por trens do terminal rodoferroviário de Pederneiras (SP), permitindo o carregamento ágil dos navios breakbulk com um sistema que dá suporte, inclusive, às operações a distância. Com isso, eliminamos o uso de caminhões na operação do porto. Reduzimos também o uso de empilhadeiras: de 18 para cinco, sendo duas delas elétricas e as demais abastecidas com GLP.
Atributos de sustentabilidade na Bracell Papéis
As fábricas da Bracell Papéis, no Nordeste e no Sudeste, têm tecnologias para o uso de energia renovável em nossas operações e mitigação de emissões de gases de efeito estufa.
Transporte de celulose para a produção de Tissue
A fábrica da Bracell Papéis em Lençóis Paulista (SP) está localizada no mesmo site das linhas flexíveis da Bracell, onde é produzida a celulose kraft utilizada na fabricação de Tissue. Essa integração logística permite o transporte da celulose por tubulação, eliminando a necessidade de secagem e do transporte rodoviário, o que evita emissões de GEE e otimiza os processos.
Armazém vertical automatizado e eficiência energética
Os produtos fabricados no site de Lençóis Paulista (SP) são armazenados em um armazém vertical automatizado, que utiliza elevadores operados por robôs para otimizar a movimentação das mercadorias. Com isso, garantimos mais eficiência energética no processo. A automação reduz a necessidade de iluminação e climatização, resultando em economia de energia na operação de armazenagem.
O sistema proporciona ainda melhor controle logístico, permitindo armazenagem otimizada e movimentação rápida dos produtos, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade. Também agrega segurança e eficiência às nossas operações. A automação minimiza interferências humanas, tornando o processo mais preciso, seguro e sustentável.
Energia solar
A fábrica da Bracell Papéis em Lençóis Paulista (SP) conta com uma área de painel solar de aproximadamente 50 mil m2– o maior da América Latina no setor –, em toda cobertura da planta industrial, gerando 7,21 MW de energia renovável e livre de combustíveis fósseis. A geração é capaz de atender a 20% do total de energia consumido pela unidade.
Caldeira de biomassa
Na fábrica da Bracell Papéis em Feira de Santana (BA), adquirimos uma caldeira sustentável de biomassa, cuja operação teve início em dezembro de 2024. O equipamento, mais seguro e eficiente, faz parte do projeto Inovar, que marca o maior volume de investimentos da história da unidade.