SASB Emissões de Gases de Efeito Estufa

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RR-PP-110a.1: Total de emissões brutas do Escopo 1

Em 2025, as emissões fósseis da Bracell de escopo 1 representaram 52% do total e somaram 976.020,89 tCO2e, um aumento de 33% em comparação ao ano anterior. Esse acréscimo foi impulsionado majoritariamente pelo maior consumo de combustíveis fósseis na indústria e pelo maior raio de busca da madeira na logística florestal, consequentemente aumentando o total de diesel consumido.

A Companhia reporta separadamente as emissões biogênicas de CO₂ associadas à combustão de biomassa, ao uso de biocombustíveis renováveis na frota, à ocorrência de incêndios florestais e à dinâmica do manejo do eucalipto. Em conformidade com o GHG Protocol e com o IPCC, essas emissões são contabilizadas separadamente das emissões de origem fóssil, uma vez que derivam de biomassa renovável que, durante seu crescimento, remove CO₂ da atmosfera.

O inventário é elaborado de acordo com as diretrizes da ABNT NBR ISO 14064-1, do GHG Protocol e das metodologias do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com consolidação por controle operacional, tendo 2025 como ano-base corporativo e abordagem de consolidação dos dados por Controle Operacional. Os gases de efeito estufa considerados no cálculo das emissões de Escopo 1 foram: CO₂, CH₄, N₂O, HFCs e SF6.

Emissões (tCO2e) 2023 2024 2025
Escopo 1 597.454,00 731.362,80 976.020,89
Escopo 1 – Biogênicas 10.810.512,98 9.156.105,51 18.096.569,75

Nota: as emissões biogênicas de escopo 1 acima consideram combustão estacionária (biomassa), combustão móvel, atividades agrícolas e mudança do uso do solo.

RR-PP-110a.2: Discussão da estratégia de longo e curto prazos ou plano para gerenciar as emissões do Escopo 1, metas de redução de emissões e uma análise do desempenho em relação a essas metas.

Nosso Inventário de Gases de Efeito Estufa da Bracell utiliza orientações metodológicas dispostas na versão mais atualizada da norma ABNT-NBR ISO 14064, GHG Protocol e com as metodologias de quantificação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa é realizado de forma corporativa, contemplando as unidades fabris de celulose de São Paulo e da Bahia, e as operações florestais nesses dois estados.

Para gerenciar o tema material Mudanças climáticas, contamos com políticas, planejamento de ações, metas e monitoramento contínuo de resultados de nossas iniciativas nessa área. Buscamos atuar em uma economia de baixo carbono e adaptada ao cenário de um planeta com temperatura média mais alta.

Estabelecemos, com o Bracell 2030, compromissos para redução de emissões de gases de efeito estufa, dentro do pilar Ação pelo Clima.

AÇÃO PELO CLIMA
No Meta 2030 Baseline 2020 Meta 2030 Meta 2025 Desempenho 2025 Desempenho 2024 ODS
1 Reduzir as emissões de carbono por tonelada de produto em 75%, para atingir 0,122tCO₂e/adt 0,482 tCO2e/adt 0,122 tCO2e/adt 0,141 tCO2e/adt 0,255 tCO2e/adt 0,208 tCO2e/adt 13, 14, 15
2 25 MtCO₂e removidos da atmosfera entre 2020 e 2030 8,3 MtCO2e 25 MtCO2e 13,9 MtCO2e 6 MtCO2 4,30 MtCO2 13, 14, 15

O Bracell 2030 tem dois compromissos relacionados ao tema material Mudanças Climáticas. Nossas metas foram elaboradas considerando a análise de riscos e impactos – positivos e negativos – das operações da Bracell no contexto das mudanças climáticas. Nossas operações emitem gases de efeito estufa (GEE) e capturam CO2 da atmosfera, por meio do crescimento das florestas plantadas de eucalipto e da conservação das áreas de vegetação nativa sob gestão da Companhia.

Até 2030, assumimos o compromisso de reduzir em 75% nossas emissões de carbono por tonelada de produto fabricado, tendo 2020 como ano de referência para realizar a comparação dos dados medidos. Isso significa chegar a 0,122 tCO2e/adt. Adicionalmente, vamos remover 25 MtCO2e da atmosfera considerando o intervalo de uma década – de 2020 até 2030.

Para 2025, estabelecemos como metas intermediárias fechar o ano com 0,141 tCO2e/adt e tendo removido 13,9 MtCO2e. Os resultados mensurados são detalhados abaixo:

Meta 1: reduzir as emissões de carbono por tonelada de produto em 75%, para atingir 0,122 tCOe/adt.

De 2020 a 2025, reduzimos 47% de emissões de carbono por tonelada de produto, atingindo o valor de 0,255 tCO2e/adt.

Embora tenhamos alcançado uma redução de 47% de nossas emissões em intensidade nesse período, alguns fatores contribuíram para que não fosse atingida a meta estabelecida para 2025. A redução foi afetada negativamente principalmente pelo aumento da combustão móvel nas nossas operações e do uso de gás natural e óleo combustível nas operações industriais.

Por outro lado, registramos avanços relevantes em 2025. A ocorrência de incêndios em nossas áreas florestais foi significativamente reduzida, resultando em queda de 84% nas emissões associadas a esses eventos.

Adicionalmente, no site industrial da Bahia, modernizamos a produção de celulose, com a implantação de uma nova linha de cozimento. A tecnologia, que entrou em operação no início de outubro de 2025, reduziu a demanda por vapor no processo, contribuindo para uma redução de 3% no consumo total de gás natural da fábrica.

Seguimos implementando iniciativas para mitigar os impactos relacionados às mudanças climáticas e continuar avançando em direção à descarbonização de nossas operações. Os investimentos realizados para o uso de caminhões elétricos no transporte de celulose, em fase de testes, e para a geração e utilização de energia renovável são exemplos que detalhamos no capítulo Eficiência energética.

Meta 2: 25MtCO2e removidos da atmosfera entre 2020 e 2030

De 2020 a 2025, removemos 6 MtCO2e. Esse valor considera o balanço de carbono de nossas operações, ou seja, a diferença entre o total de remoções e emissões antropogênicas e emissões biogênicas LULUCF (sigla em inglês para Land Use, Land-Use Change and Forestry, que em português significa Uso da Terra, Mudança no Uso da Terra e Florestas).

O resultado representa um avanço em relação ao acumulado registrado até 2025, refletindo a continuidade das remoções de carbono associadas às nossas operações florestais.

Ainda assim, fatores climáticos contribuíram para que não fosse atingida a meta estabelecida para 2025. O desempenho foi impactado, principalmente, pelas condições climáticas adversas observadas nos últimos anos, caracterizadas por temperaturas mais elevadas e redução do volume de chuvas, que resultaram em déficit hídrico e afetaram diretamente a produtividade florestal. Como o crescimento das florestas de eucalipto está diretamente relacionado à capacidade de remoção de CO₂ da atmosfera, essas condições comprometeram o potencial de remoção previsto no período.

A Bracell tem um plano de ação para mitigar seus impactos ao clima e aumentar a resiliência de suas operações frente às mudanças climáticas. Entre as principais ações estão: o monitoramento do fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto; investimentos em pesquisa e desenvolvimento florestal (P&D); a gestão integrada de riscos e impactos relacionados ao clima; e a realização de estudos de zoneamento climático. Saiba mais nos capítulos Monitoramento do fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto e Estudo de zoneamento climático.

Ações pelo clima

A seguir, destacamos iniciativas que compõem a agenda de Ação pelo Clima da Bracell, abrangendo mitigação, eficiência energética, avanços tecnológicos e fortalecimento de capacidades internas.

Autossuficiência na produção de eletricidade – geramos a energia limpa e renovável que abastece as duas linhas flexíveis de Lençóis Paulista (SP) – com geração excedente de 150 a 180 MW disponibilizada no grid (capacidade para atender a uma cidade com 3 milhões de habitantes ou 750 mil casas).
Painel solar – nossa fábrica de Tissue em Lençóis Paulista (SP) possui o maior painel solar do setor de papel na América Latina, com aproximadamente 50 mil m², composto por 10.836 placas, com capacidade instalada de 7,21 MW, equivalente a cerca de 20% do consumo da unidade.
Substituição do uso de combustível fóssil por renovável no forno de cal – nas duas linhas flexíveis do site de Lençóis Paulista (SP), a partir da biomassa do eucalipto, produzimos o gás de síntese, ou Syngás, em nossos gaseificadores de biomassa para operar em um dos fornos de cal.
Substituição de óleo combustível por gás natural no forno de cal – por meio de tecnologias e ações de engenharia, realizamos o projeto de substituição de óleo 1B (óleo combustível derivado do petróleo) por gás natural no forno de cal da linha mais antiga do site da empresa em Lençóis Paulista (SP).
Uso de empilhadeiras e caminhões elétricos – estamos incorporando à nossa operação empilhadeiras elétricas que utilizam energia renovável gerada na fábrica de Lençóis Paulista (SP). Também estamos promovendo testes para utilização de caminhões elétricos no trecho logístico entre a unidade e o terminal rodoferroviário de Pederneiras (SP), que são abastecidos com a energia renovável gerada no processo industrial de produção da celulose.
Pesquisa sobre fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto – somos parte do Programa Cooperativo Eucflux-IPEF, que estuda o fluxo de carbono e água em florestas plantadas de eucalipto no Brasil. Por meio dessa iniciativa, contribuímos com o melhor entendimento desses fenômenos em uma área de plantação de eucalipto sob gestão da Bracell, no município de Itatinga (SP), onde dispomos de uma torre de fluxo com os equipamentos que monitoram esses componentes.
Investimento em torres de fluxo em áreas de nativas e de plantações de eucalipto – como parte dos compromissos assumidos pela Companhia por meio do Bracell 2030 e considerando a relevância do tema, a Bracell irá dispor de torres de fluxo de carbono e hídrico em áreas de eucalipto e de nativas sob sua gestão, nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia. Em 2025, iniciamos a instalação de uma nova torre de fluxo, em área de vegetação nativa, em nossa Reserva Particular do Patrimônio Natural Lontra, na Bahia. Ela se somará à já existente no estado, em funcionamento em área de floresta plantada de eucalipto, e a outra em operação em São Paulo em floresta nativa.
Inventário de GEE e GHG Protocol – Nosso inventário de GEE – Escopos 1, 2 e 3 – e nossas remoções de tCO2e são auditados e verificados externamente. Divulgamos o inventário de emissões de GEE completo na plataforma de Registro Público de Emissões do Programa Brasileiro GHG Protocol.
Pegada de carbono – realizamos estudos de pegada de carbono dos nossos produtos com base em metodologias reconhecidas de avaliação de ciclo de vida, como ISO 14044, ISO 14067 e GHG Protocol – Product Standard, apoiando clientes em suas próprias estratégias de descarbonização e fortalecendo nossa competitividade com maior transparência climática.
Nova planta de cozimento – em 2025 foi dado início às operações da nova planta de cozimento em Camaçari (BA). A entrega faz parte do projeto Renovar, que moderniza equipamentos e processos industriais, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a inovação. A capacidade volumétrica cresceu em 35%, aumentando a produtividade e reduzindo o consumo de energia, vapor, gás natural e água.